Categorias
Irlanda
Ouço esta pergunta sempre que digo para onde vou.
Explico: desde que consigo lembrar tenho uma inquietação por conhecer lugares. Não só da vontade de viajar, conhecer o lugar pessoalmente, mas aquele desejo de informação. Ler enciclopédias, revistas, mapas – amo mapas – livros de história, de geografia.
Essa alma meio intercambista eu sempre tive. Tornar isso realidade seria um pouco demorado, eu sempre soube. Afinal eu escolhi fazer faculdade primeiro. E infelizmente, grana pras duas coisas eu não tinha. Mas aí o fim da faculdade se aproximou e os planos poderiam começar a tomar forma.
O meu desejo maior sempre foi Londres. E até aí não precisa de muita explicação, justificativas. É um destino comum para se fazer intercâmbio. Só que as regras para se estudar na terra da dona Elizabeth não são tão simples assim e despenderia um orçamento muito maior do que eu poderia planejar a curto prazo.
Aí com a ajuda da Santa Internet eu descobri o programa de Au Pair nos Estados Unidos. E me pareceu bem vantajoso. Não é caro e não tem lá muitas exigências. Nada impossível. Decidida respirei essa ideia uns seis meses. Ficava lendo blogs de meninas fazendo este programa enquanto deveria estar fazendo meu TCC, confesso!
Neste período au-periano pensei na França também. E em outros lugares. Ficava procurando famílias no site Au Pair World e me imaginava morando cada semana em um país diferente. Aí veio a formatura e de repente eu queria aproveitar meu diploma e começar a ser jornalista de fato. Outras dúvidas vieram e acabei desistindo.
Cheguei a pesquisar ainda alguns outros programas nos EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Todos com preços muito elevados para o meu bolso. Foi então, lá por março, que conversando com uma amiga que tinha voltado de Dublin que comecei a cogitar a Irlanda. O motivo principal? A facilidade. Não precisa tirar visto aqui, dá pra trabalhar, não é absurdamente caro.
Ainda assim era um dinheiro que eu não tinha na época. E juntar levaria um bom tempo. Foi aí que no início de setembro tudo mudou. E meio atônita com o “e agora, o que fazer?” Lembrei do intercâmbio e não levei dois dias para decidir.
Então… por que a Irlanda? É a forma mais acessível de, agora, realizar um sonho antigo. É minha porta de entrada para o mundo.
Mas o que tem lá? Onde fica? Bom, essas são perguntas para um próximo post…
Ainda que falho e com atendimento precário você sabe que dentro do território nacional se passar mal, sofrer algum acidente ou coisa assim é um direito seu o atendimento gratuito no SUS. Claro que pode levar horas e não ser uma beleza de atendimento. Mas está garantido.
Eu, thanks god, sempre que precisei de atendimento médico de emergência consegui com satisfação. A maioria dos casos foi quando era criança. O cmais recente já faz uns 5 anos e foi uma peste braba que peguei na praia. Dor de garganta de não poder falar e febre alta. Durante uns três dias tomei amoxicilina e nada. Tive que ir ao posto de saúde implorar por uma benzetacil. (sim, prefiro mil vezes uma injeção do que dias e dias de antibiótico!) Fui atendida e medicada.
Às vezes a decisão de passar um ano estudando em outro país não é fácil de ser tomada. Pra mim até que foi. Era um sonho antigo. E mesmo aqui em casa, onde eu vivia dizendo para todos que um dia eu ia fazer isso, tive algumas reações de surpresa.
Aos adultos é fácil dizer que todos os contras são compensados pelos infinitos – na minha opinião – prós de fazer intercâmbio. Mas como explicar para uma criança de 5 anos (quase 6)?
O meu maior porém na decisão da viagem quando era só uma ideia era a Vitória, minha afilhada. Bom, o dinheiro também, mas essa é outra história. Eu fico uma semana sem ver e já morro de saudade. Imagina um ano!!! Eu vou passar o final de semana fora e ela morre chorando dizendo que vai sentir saudade.
Confesso que é o ponto que vai doer mais. Perder um ano no desenvolvimento dela. E justo o ano que ela vai entrar na escola. Ainda bem que estamos em tempos de comunicação fácil e barata.

Eu vou morrer de saudade...
- Por que as dindas têm que ser aventureiras?
Sobre as reações dela: a primeira defesa é ficar braba comigo. Depois chorar e por último tentar entender o porquê da minha viagem. Nestas cenas acontecem algumas pérolas como a frase acima e duas outras que ela disse hoje.
- Mas dinda, por que tu tem que ir pra Irlanda estudar?
- Por que sempre foi meu sonho fazer intercâmbio. Tu não tem um sonho?
- Tenho. Que tu não vá pra lá!
Mais tarde, no almoço:
- Dinda por que tu tem que ir pra Irlanda.
- Pra estudar inglês!
- Mas por que tu não estuda no Fisk? Lá tem inglês e espanhol!!
Depois de contar sobre a viagem pra minha prima que mora em Curitiba ocorreu a seguinte cena:
Deixo a frente do computador sorridente. Quero ir contar pra minha mãe uma parte do papo. Abro a porta do meu quarto. Tudo escuro. Meia-noite. Já estão todos dormindo. Fico olhando pro escuro e choro.
Não sei bem o motivo, talvez uma prévia da saudade ou só coisas de viajantes…
Agora não tem volta. Passagens compradas: dia 16 de novembro. Vou com a Iberia e depois de ler este post da Sabra me deu um friozinho na barriga. Mas sempre torcendo para que o melhor aconteça. Só uma dica que dou para os marinheiros de 1ª viagem. Se estiverem fazendo o pacote por agência, como eu, e tiverem cartão de crédito comprem as passagens áreas independente. Como eu não tenho cartão de crédito tive que fazer com a agência, onde pude pagar por boleto. Mas dando uma olhada nos sites da Iberia e KLM eu iria economizar uns bom pilas.
Explico:
Paguei R$ 1900* ida e volta – Partindo de Guarulhos. No dia 16 de novembro. A data de volta, 13 de junho, é ‘ fictícia’ pois não é possível marcar um voo com tanto tempo de antecedência. Mas depois é só remarcar (ainda não sei bem como, mas descobriremos). Esse valor é da Iberia. Como estou no RS, ainda tenho que comprar uma passagem Porto Alegre-São Paulo (GRU).
Fiz as simulações para os mesmos dia nas cias Iberia, KLM e TAM.

Admiro quem sempre tira algo de bom das coisas ruins que acontecem. Eu definitivamente não sou assim. Pelo contrário. Esbravejo, faço a Maria do Bairro, e penso que sou a maior sofredora do mundo. Mas até mesmo os mais descrentes devem saber que há males que vem para o bem. Pois então. Na semana passada fui demitida da empresa que trabalhei por 4 longos anos.
O que fazer? Ficar chorando? Se martirizando? Não. Não dessa vez. Devo admitir que fiquei bem feliz. Afinal, significava retirar aquela bela quantia que ornava meu saldo do FGTS e mais umas mixarias. E então o que fazer? Fiquei no ‘ a hora é agora’ e decidi realizar um sonho beeem antigo. Procurar novos horizontes.
Assim como na foto que ilustra esse post, estou aqui olhando para frente, visualizando algo de bom pra mim lá, no tal horizonte.
Um ano fora.
Dublin.
Esse é o plano.